Festival da Batata-doce de Aljezur

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Batata-doce

Reza a lenda que os cavaleiros de Santiago, chefiados por D. Paio Peres Correia, antes de cada batalha utilizavam como complemento vitamínico uma poção elaborada a partir da batata doce. Naqueles tempos carregar com armas e armaduras não era tarefa fácil. Daí que necessitavam de um alimento completo. O vigor na invasão e a rapidez na tomada do castelo de Aljezur deixou os mouros boquiabertos. A conquista ocorreu em 1249 e a poção que serviu de base à magnífica vitória, segundo a lenda é nada mais, nada menos que a famosa feijoada de batata-doce de Aljezur.

Aljezur desde sempre esteve ligada a actividades agrícolas, com recurso a técnicas e métodos tradicionais que subsistiram no tempo, permanecendo imutáveis até aos nossos dias. A Batata-Doce de Aljezur, é a expressão visível desta imutabilidade, sendo hoje cada vez mais reconhecida como ex-líbris da nossa identidade cultural.

As condições ambientais únicas permitem o harmonioso crescimento das famosas “raízes de pele castanho avermelhado e polpa amarela”.
O sol, as terras, as águas, o ar limpo e o clima de Aljezur fazem das batatas-doces um produto com qualidade e com um sabor diferenciado. Considerado desde há muito, um alimento  completo, único, com qualidade e acima de tudo um produto biológico natural sem usos de químicos.


CERTIFICAÇÃO IGP (Identificação Geográfica Protegida)

Finalmente as doces raízes, vulgarmente designadas por “Batata Doce de Aljezur”, obtidas a partir da planta herbácea, vivaz, cultivada como anual “Ipomoea batatas L. (syn. Batatas edulis), variedade Lira, da família das Convolvulaceaes, produzidas nesta região com condições ambientais únicas, onde o Sol chega com abundância e onde a terra, a água e o ar não se encontram poluídos, conseguiram a certificação comunitária de IGP.

A Batata doce de Aljezur é uma raiz adventícia que por tuberculização se torna carnuda. É uma batata piriforme alongada, de cor púrpura ou castanho-avermelhada e polpa amarela. No calibre, varia entre os 8,5 cm x 4,0 cm e os 16,5 cm x 7,1 cm, e no peso, entre os 50 g e os 450 g. De acordo com estudos efectuados nos laboratórios da Direcção Regional de Agricultura do Algarve, tem 65% a 67% de humidade; 1,3% a 1,5% de açúcares redutores; 1,8% a 3,7% de açúcares totais; 11,2% a 12,9% de amido.

Qualidades nutritivas: Uma batata-doce de tamanho médio proporciona o dobro da quantidade de vitamina A e um terço da vitamina C de que necessitamos diariamente; é uma importante fonte de ferro e potássio e é rica em antioxidantes. Além disso, possui um elevado valor energético, por ser muito rica em hidratos de carbono complexos e açúcares.

A zona de produção encontra-se naturalmente circunscrita ao concelho de Aljezur com cerca 220 hectares e as freguesias de litorais do concelho de Odemira (S. Teotónio, S. Salvador, Zambujeira do Mar, Longueira-Almograve e Vila Nova de Milfontes) com cerca de 200 hectares, ou seja, Costa Vicentina e Sudoeste Alentejano, sendo que é nas várzeas de Aljezur e de Odeceixe e na charneca do Rogil que se produz em maior abundância.

Este cultivo  representa uma mais valia significativa para este sector produtivo em todo este território e a sua capacidade produtiva está longe de estar esgotada! A procura crescente abre excelentes perspectivas no escoamento do produto tanto ao nível nacional como no patamar internacional.

Importa ainda salientar que de momento as aplicações deste produto se cingem essencialmente às aplicações culinárias e na doçaria tradicional, mas o potencial deste produto é tremendo. Desde logo na produção de aguardente ou em produtos derivados ou ainda na aplicação da batata em compostos alimentares como as papas para recém nascidos, muito devido aos excelentes valores nutricionais que comporta ,bem como no aproveitamento da própria rama de batata doce que produz um excelente esparregado também ele de valores nutricionais únicos.

No caso destes últimos encontram-se ainda em fase de experimentação e estudo no nível académico, mas que nos traduz já resultados muito entusiasmantes .

Pelo facto de esta ser uma produção biológica que não aceita adição de compostos químicos na sua produção e num momento que cada vez mais se pede ao consumidor para consumir os produtos que se produzem mais perto de nós, faz todo o sentido aproveitar este produto de qualidade única agora devidamente identificado com o selo de Identificação Geográfica Protegida em detrimento de outros oriundos de países mais longínquos. 

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